domingo, 27 de dezembro de 2009

Vingança


Havia já 16 anos desde que fora atacado pelos lobos brancos. As lembranças daquele noite já não lhe perturbavam tanto, mas ainda apareciam às vezes, durante o sono. No começo se revoltou, quis se vingar, fugir... Mas jamais conseguiria se vingar ou fugir das centenas de lobos brancos que o atacaram. Por isso, acabou se juntando a eles.

Levou algum tempo até descobrir a verdade sobre o aumento desordenado da população de lobos naquela região. Aquela história de que eles começaram a se reproduzir desordenadamente era uma farsa. Em primeiro lugar, eles se reproduziam muito pouco, pois a quantidade de fêmeas era insignificante por ali e elas só permitiam a cópula nas épocas de cio. Em segundo, os lobos brancos eram nômades caçadores e migraram para aquele lugar após serem escorraçados de um vilarejo no estado vizinho. Devoraram os lobos nativos e, desde então, começaram a se alimentar principalmente de pessoas que passavam desavisadas pelo lugar, o que acontecia regularmente.

Não entendia como as pessoas continuavam se aventurando por aqueles caminhos, mesmo sabendo do perigo que corriam. Descobriu, ao longo dos anos, que era aquela velhinha caquética quem as convencia a caminharem rumo ao Grande Rio, em troca de os lobos deixarem em paz a população do vilarejo. Como a região era um ponto turístico muito famoso e importante no país, todos os dias recebiam boas e fartas refeições humanas: 10, 20 pessoas, às vezes o dobro disso.

Algumas vezes, caçadores armados atiravam nos lobos, mas eles nem mesmo sangravam. Aqueles lobos não morriam. Lobisomens. A população de lobos aumentava desordenadamente por esse motivo. Uma espécie de lobisomens que não tinham mais necessidade de se transformar em homens para caçar, visto que a caça ia certeira até eles. E ele também se tornou um deles. Também comia turistas desavisados que se perdiam por aqueles prados.

Nos primeiros dias após o ataque, foi difícil acreditar no que seus olhos viam, mas logo as evidências se tornaram incontestáveis. Havia se transformado em um deles e o mesmo acontecia com todos aqueles que eram atacados nas sextas-feiras do mês de agosto.

Conseguiu viver assim por 16 anos, assim como seu amigo. Tempo suficiente para que planejasse algo – qualquer coisa – que pudesse interromper a situação. Procurou por anos a fio até encontrar a erva – uma que conhecia de tradições antigas, única capaz de acabar com essa espécie de lobo. Já não podia contar com o amigo, há muito integrado como se fora nascido ali, lobisomem como os outros – tornara-se o chefe da alcateia. Haveria que agir sozinho.

Assim, em dia que julgou conveniente, ingeriu quantidade adequada do veneno e provocou o amigo da maneira como sabia que deveria ser. Provocou-lhe irritação, raiva, ódio, fúria... Os outros lobos todos se manifestaram, sabiam como agir em situações desse tipo. Desafiar o chefe era erro imperdoável. Qualquer outra infração às regras poderia ser relevada, menos essa.

A uma ordem do chefe, os lobos atacaram – sem que reação alguma de fuga ou enfrentamento fosse percebida no infrator. Cada um dos lobisomens obteve um naco daquele corpo, embora a parte mais nobre – o coração – ficasse reservada ao chefe.

Somente muitos dias depois, quando uma quantidade inenarrável de urubus foi capaz de formar uma nuvem que cobrisse a luz do sol por mais do que alguns instantes, a população do vilarejo se deu conta do significado da palavra “liberdade”.


domingo, 13 de dezembro de 2009

Armadilha


Era uma borboleta exuberante, roxa com degradê de lilás e detalhes prateados que brilhavam refletindo a luz do sol. Exuberante, diferente, linda. Há pouco saíra do casulo e se deliciava com as coisas que via, os cheiros que sentia. Agora que voava, ou melhor, agora que flutuava no ar dançando com a brisa, tudo parecia diferente. Visto do alto, o mundo era muito diferente de quando se rastejava em corpo de lagarta. A borboleta se sentia a criatura mais importante desse mundo, tão linda e exuberante que era, tão suave em seu bailado esvoaçante, admirada por todos. Assim imaginava e visitava todas as flores que lhe pareciam tão belas quanto ela mesma. Buscava sempre uma identificação com as flores que visitava, não iria se alimentar de néctares quaisqueres, queria aqueles que mais lhe fossem saudáveis e salutares. Pensava que eles estavam nas flores mais belas, mais coloridas e viçosas. Estaria certa? Somente a experimentação eliminaria a dúvida.

Em pouco tempo, a borboleta se tornou conhecida de todos aqueles lugares, de cada uma das mais belas flores. Era gentil e delicada, por isso, admirada. Voava longe em busca de seus néctares, ainda pensando que eles estavam nas flores mais belas, tão belas quanto ela mesma. Começava, porém, a se sentir incomodada. Algo havia de errado em seus voos. Por mais que buscasse, não sentia o sabor maravilhoso que procurava. O alimento das flores era bom, mas muito longe do que ela desejava. Sabores todos bons e parecidos, quase iguais. Teria que se sujeitar a experimentar o gosto de outras flores menos coloridas, menos macias, menos admiradas? Teria que procurar o oposto de si, do que ela era? Somente a experimentação eliminaria a dúvida.

Então, a borboleta passou a ser ainda mais conhecida por todos aqueles lugares, agora ainda mais admirada por se alimentar também das flores menos belas. Ela aprendia a sentir as diferenças de uma forma diferente, nem tão diferentes assim eram os néctares das flores, fossem elas belas ou nem tanto. Os sabores eram apenas levemente diferentes, mais similares do que contrastantes. Ainda assim não conseguia degustar o que imaginava que deveria haver de mais saboroso naqueles mundos. Não sabia de onde vinha aquela vontade de beber um néctar maravilhoso, muito menos imaginava como sabia da suposta existência dele. Haveria algum tipo de instinto que orienta os seres lepidópteros exuberantes a prever um tipo ideal de alimento?

Pensava nessas coisas e voava. Batia asas e pensava. Coloria o mundo e sentia suas tintas se diluindo aos poucos. Quanto tempo ainda gastaria pelos ares sem encontrar o néctar delicioso? Que desconcerto de voos eram os seus que não chegavam ao pouso perfeito? Quase desesperada, começou a seguir todos os cheiros anárquicos que sentia, cheiros que a levavam a montes de lama, dejetos pútridos e restos de animais quaisquer. Sabia que a experimentação é o único meio de eliminar a dúvida. Então, experimentava esses líquidos absurdos aos quais chegava através dos cheiros, degustava-os e descobria no lixo um alento para suas necessidades alimentares, um gosto de fato muito diferente daquele das flores, embora, ainda assim, muito distante daquele que sua gula adivinhava.

Um dia, a borboleta esvoaçava nas entranhas de um bosque cuja descrição poderia ocupar muitas páginas. Em resumo, um bosque com tudo aquilo a que um bosque tem direito. A borboleta esvoaçava por esse bosque, como sempre fizera em toda a sua curta vida, buscando alimento em flores e lixos. Foi quando sentiu o cheiro distinto. Que cheiro seria aquele que ainda não conhecia? Nem doce como o das flores, nem ácido como o dos lixos. Guiou-se por ele e descobriu-se seguindo um caminho novo. O cheiro vinha de um lugar mais escuro do bosque, cercado por galhos que abafavam o ar. O escuro abafado umedecia. A borboleta roxa e exuberante quase nadava agora, em vez de voar, tamanha a densidade do ar que ali nem circulava. Ela nadava no ar, no escuro, no calor, e o cheiro ficava cada vez mais forte e irresistível. Pensava vagamente que não deveria se embrenhar por caminhos tão estranhos, nem via aonde estava indo. Ao mesmo tempo, a vontade de descobrir o cheiro era bem maior do que a vontade de se proteger contra os perigos predadores da vida de uma borboleta.

Até que, finalmente, a borboleta sentiu na pele o cheiro forte. Literalmente. Sentiu-se tocar em algo fino e pegajoso, algo que emanava o cheiro maravilhoso. Percebeu-se com as asas meio presas. Com as asas, realmente, meio presas. E, quanto mais tentava voar, mais presa ficava. Como se estivesse grudando-se numa fina rede a cada movimento que fazia, como se cada parte do seu corpo se grudasse quando encostava na rede. O escuro impedia que a borboleta reconhecesse a teia, mas, ainda que não estivesse escuro, ela certamente não reconheceria a aranha bizarra que havia tecido aquela rede com odores maravilhosos. A borboleta nunca havia se deparado com predador de tal estirpe em toda a sua vida de buscas. Como poderia reconhecê-lo, então?!

Algum tempo depois, já praticamente imobilizada na armadilha, a borboleta previa qualquer tipo de tragédia. Um erro que havia cometido e agora estava ali, irremediavelmente presa. Qual foi o erro? Desvendar o caminho escuro? Entrar no bosque? Ou procurar o alimento maravilhoso que seu instinto exigia? Pensava em coisas assim quando sentiu leve dor de picada. Que coisas esdrúxulas aconteciam em seu mundo, ó céus? Havia mais um bicho ali. E esse bicho injetava algo em seu corpo, qualquer coisa que ardia e depois queimava. Sentia-se arder e queimar aos poucos, lentamente, assustadoramente, irremediavelmente... Sentia-se impotente agora, previa que arderia e queimaria pela eternidade afora.

A aranha via pouco no escuro. Orientava-se pelas ondas que os movimentos provocavam no ar pesado de seu lar. Sentia as ondas começando no escuro, aumentando aos poucos, emanando dos bichos que se grudavam em sua teia e, finalmente, arrefecendo. Só então ela se aproximava e inoculava neles seu líquido digestivo, ácido implacável que, uma vez em contato com as entranhas de seres vivos, não oferecia chance alguma de recuperação. O escuro impedia que a aranha reconhecesse a borboleta roxa com nuances lilásicos que se grudara em sua teia, mas, ainda que não estivesse escuro, ela certamente não reconheceria o perigo que as cores roxas alertavam. A aranha nunca havia se deparado com equívoco de tal estirpe em toda a sua vida de caças em armadilhas. Como poderia reconhecê-lo, então?! Nem mesmo a borboleta, exuberante que era, sabia que continha em si o veneno mortal que afastava os predadores. Exuberante que era, pensava que os pássaros e sapos e outros bichos não a atacavam por admiração ao seu excêntrico mosaico de cores. Jamais imaginaria que era justamente o mosaico de cores excêntricas que a delatavam como bicho venenoso e, portanto, impróprio para consumo animal.

A borboleta transformava-se, lentamente, numa pasta digerida. Sentia-se adormecer aos poucos, entrava nas estranhas dimensões do nada mais absoluto que pode haver. Nesse momento, a aranha apenas começava seu repasto, regalava-se com um tipo de alimento que nunca antes havia provado – o sabor único e indescritível que sua esganação já desejava repetir. Que gosto era aquele tão maravilhoso que descobria? Teria a grande dádiva de obtê-lo novamente em sua armadilha? Ao pensar assim, desacelerou o ritmo com que degustava o alimento novo, engolia devagar a pasta para aproveitar melhor o sabor, já que não sabia se uma outra vez, no futuro, o receberia em sua teia. A aranha não sabia, a borboleta jamais saberia, mas, num espaço muito curto de tempo, ambas se encontrariam novamente nas dimensões absolutas do nada mais estranho que poderiam imaginar.


sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Estamos de volta com ‘Kimbor, o meteoro amigo’!!!

Somente da estranha mente de Ciro M. Costa
VOLTAMOS A APRESENTAR...
KIMBOR, O METEORO AMIGO!!!


Numa tentativa frustrada de conseguir a atenção e audiência do púbico, Jôni Dezimbors e Ferdinélson Chesters foram até uma praça de Ponte Bridge. Chegando lá, tentaram agredir um pipoqueiro para ter mais ação, mas não conseguiram (o pipoqueiro tinha uma simpatia de dar dó). Então, eis que surge na frente deles...
- Amiguinhos! Amiguinhos! Do que vocês estão brincando? Eu quero brincar também! – disse o meteoro Kimbor.
- Bem, nós...
- Deixa esse meteoro pra lá, Ferds! – interrompeu Jôni. – Venha! Vamos atrair a audiência para outro lado!
- Vai me abandonar de novo, amigo Jôni? – perguntou Kimbor, tristonho.
- Coitado, Jôni! – disse Ferdinélson.
- Que coitado o quê!! – disse Jôni, empurrando Ferdinélson para o lado.
(risos)
- Ei! Cuidado aí!
- Tenha santa paciência, Ferds! Isso aí é feito de concreto! Ou de plástico, sei lá!!
- É verdade! Estou tão envolvido nessa história que acabo esquecendo!
Nisso, o pipoqueiro retornou, com dois saquinhos de pipoca.
- Amigos! – ele disse, com aquela alegria – Vocês demoraram e resolvi trazer a pipoca pra vocês! Como um sistema de delivery! Hehehe!
(a platéia, com dó, diz: “ooohhhhh!”)
Totalmente sem palavras ou ação, Jôni e Ferdinélson pegaram os saquinhos de pipoca e começaram a comer.
- Ei! – disse o pipoqueiro. – Vejam só, um meteoro! Que bacana, hein?
- Olá, amigo! – disse Kimbor.
- Céus! Ele também fala!
- Claro que falo!
- Hum... se você tem boca, com certeza come pipoca também, hã?
(risos)
- O que é “pipoca”?
- Rá! Eu vou trazer pra você experimentar! Tenho certeza de que vai adorar! Sou bom em estourar pipocas, sabia?
- Eba!
Nisso, Ferdinélson cutucou Jôni, e disse:
- Ei, Jôni! Quem vai pagar essas pipocas?
(risos)
- Ué!? – disse Jôni. – O meteoro, claro! Ele não é o “superstar” do programa agora? Com certeza, ele ganha muito mais do que a gente também! Vamos embora daqui!
E, quando Jôni e Ferdinélson iam saindo de mansinho, Kimbor gritou:
- Amiguinhos!!!! Esperem aí!!! O amigo bonzinho vai trazer “pipoca” pra mim!
- Shhhh!!! Fale baixo, meteoro idiota!! – disse Jôni.
- Por quê? O que há de errado?
O pipoqueiro ouviu o grito do meteoro e veio correndo.
- Ei! Vocês não estão pensando em ir embora sem pagar, não é?
- C-claro que não! – disse Jôni. – O meteoro vai pagar para nós, não é Kimbor?
- Sim, sim! – disse Kimbor. – Assim que você me disser o que significa “pagar”, amiguinho!
(risos)
- Parece que Kimbor não tem dinheiro, Jôni. – disse Ferdinélson – Aliás, ele nem sabe o que é isso! Hum... talvez seja por isso que ele é tão feliz!
(risos)
- E então? – perguntou o pipoqueiro. – Quem vai pagar afinal? Pôxa, estou decepcionado com vocês, viu?
- Bom, eu não tenho dinheiro... – disse Jôni.
- Nem eu... – disse Ferdinélson.
- Pois bem! Então vou ter que tomar uma atitude! Me dói, viu? Mas vou ter que tomar. Ei! Policial!!!
Jôni e Ferdinélson olharam para o lado e viram que realmente havia um policial por ali.
- Putz, que coincidência! – disse Ferdinélson – Um policial bem na hora certa, hein?
- Você quer dizer hora errada, né Ferds?? – disse Jôni. – Garanto que os produtores colocaram esse policial aí de propósito!!!
- Ué!? Você não queria audiência? Garanto que ela vai subir bastante agora!
(risos)
- Muuuuuito engraçado!


E AGORA?? SERÁ QUE JÔNI E FERDINÉLSON VÃO CONSEGUIR ESCAPAR DESSA?
NÃO PERCAM O PRÓXIMO EPISÓDIO DE...

KIMBOR, O METEORO AMIGO!!!

domingo, 22 de novembro de 2009

De 5 em 5


Após horas e horas esmolando pelas ruas de uma cidade grande qualquer, o homem conseguiu arrecadar somente 1 real e 95 centavos da bondade das pessoas. Achou que era pouco demais pelo trabalho que tinha – de andar tanto e ter que se sujeitar à condição humilhante de pedição.

Sentou-se num banco de praça e matutou por muito tempo, em busca de solução para seu dilema. Não pretendia procurar trabalho, também não gostava da ideia de se apossar do que fosse alheio, mas não podia viver de esmolas que lhe rendiam tão pouco. Tantas moedas no bolso e elas nem mesmo somavam 2 reais. Se tivesse os 2 reais inteiros, poderia trocar as moedas por uma nota, que não tilintaria em seus bolsos em barulho tão mesquinho de moedas que se chocam.

Foi daí que surgiu a brilhante ideia na mente do homem. Entrou no primeiro boteco que viu pela frente e pediu:

— Seu moço, tenho aqui 95 centavos em moeda e ainda muito chão há que se andar pela frente. Sinto até medo de alguma delas se perder por esses caminhos sem eu nem ter tempo de perceber. Será que o senhor podia arredondar pra mim e trocar esses 95 centavos em moeda por 1 real em nota?!

Por achar honesto o pedinte e talvez também para se livrar daquela criatura em seu estabelecimento, o comerciante topou a troca, de modo que o plano acabava de obter resultado positivo.

No boteco seguinte, o homem pegou mais 95 centavos das outras moedas que havia conseguido e aplicou o mesmo golpe, obtendo resultado idêntico ao anterior. Depois trocou os 2 reais em notas por moedas e fez novas tentativas de trocá-las por notas em arredondamento. Em nenhuma delas responderam-lhe com negativas. Segundo seus cálculos, portanto, acabava de ganhar a vida, literalmente (?!).

Daí em diante, tudo viraram flores em vida dele. Se jamais fora ambicioso ou materialista, não seria agora que começaria a alimentar sonhos de riqueza. Não precisava de bens quaisquer que fossem, não precisava de lazer nem de cultura. Do que precisava era apenas comida, algumas roupas em condições razoáveis de uso e passagens de ônibus. Sim, porque é muito lógico que ele não poderia aplicar o golpe repetidas vezes nos mesmos lugares, sob o risco de desconfiarem e cortarem-lhe os rendimentos. Assim, embora conseguisse arrecadar pouco dinheiro por dia, era ganho garantido e suficiente para manter a vida como ela sempre havia sido.

Com o tempo, variou e aperfeiçoou sua atividade. Não importava quanto em moedas pedia para ser trocado por nota, o importante era o arredondamento de 5 centavos. Em tempos de maior ousadia, chegava a pedir que completassem 10 ou mesmo 15 centavos, conforme a situação favorecesse. Chegava a uma cidade qualquer, perambulava de estabelecimento a outro trocando seus dinheiros e, ao fim do dia - ou dos dias, dependendo do tamanho da cidade -, pegava um ônibus dos mais baratos e seguia o destino que ele mesmo havia traçado.

Décadas se passaram e o homem, já idoso, guardava o segredo com todo o cuidado. Ninguém sabia quem era, de onde vinha ou o que fazia - e ele seria capaz de viver mil anos assim. O velhinho, enrugado e caquético, sabia-se o mais esperto e perseverante dos homens, tão simples e confortável em sua vida de ser feliz com tão pouco.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Kotydianos III

Por Ciro M. Costa


O rapaz foi colocar sua encomenda em uma das agências dos correios. Chegando lá com seu pacote, a atendente perguntou:
- O senhor não quer mandar como Sedex? É mais seguro e só custa uns reais a mais.
- Não, obrigado. - respondeu o rapaz. - Essa encomenda já está paga e nem precisa mandar como Sedex.
- Tudo bem. - disse a atendente, e o rapaz foi embora.
Passados alguns dias, o rapaz voltou. A atendente, novamente com um sorriso, perguntou:
- Por acaso não quer mandar como Sedex? É mais seguro e só custa uns reais a mais.
- Não, obrigado. Essa encomenda já está paga e nem precisa mandar como Sedex.
E novamente o rapaz foi embora.
No dia seguinte, lá estava ele com outra encomenda.
- E aí, vai mandar como Sedex hoje? É mais seguro e só custa uns reais a mais.
- Não, obrigado. Essa encomenda já está paga e nem precisa mandar como Sedex.
No dia seguinte, a mesma coisa:
- E o Sedex? É mais seguro e só custa uns reais a mais.
- Não, obrigado. Essa encomenda já está paga e nem precisa mandar como Sedex.
E no outro, a mesma coisa:
- O que acha de mandar como Sedex hoje? É mais seguro e mais rápido, hein?
- Não, obrigado. Essa encomenda já está paga e nem precisa mandar como Sedex.
A atendente começou a ficar cismada.
Depois de alguns dias, o rapaz voltou na agência novamente. E a atendente, como sempre, perguntou:
- O senhor não quer mandar como Sedex?
- Não, obrigado. Essa encomenda já está paga e nem precisa mandar como Sedex.
Então, ela, curiosa, perguntou:
- Desculpe perguntar, senhor, mas por que é me dá sempre essa mesma resposta?
- Porque você faz sempre a mesma pergunta.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Adolescente afirma que contraiu vírus da internet

L. Santos, 17, está internada no Hospital dos Santos de Todas as Causas, em Córrego Morno /RJ, desde o dia 15 deste mês, e passa bem. 

A adolescente navegava na internet, quando de repente começou a sentir sonolência e perda de consciência. 

Ela relata que tudo começou quando recebeu uma "corrente" por e-mail. "Se você não enviar este e-mail para 3.867 pessoas em 5 segundos, será contaminado(a) por um vírus, perderá parte da memória e alguns de seus registros serão corrompidos", dizia a corrente. 

Ela disse que, como não conseguiu tal feito, foi afetada, e por isso não consegue mais se lembrar dos acontecimentos da sua vida antes dos 11 anos. Dos 12 aos 17 ela se lembra, porém, alguns momentos, conforme a adolescente, foram esquecidos ou se confundiram com outros. 

Ao ser questionada pelo Dr. Abduzin Sallum, sobre algum tipo de comportamento diferente antes do ocorrido, L. Santos disse que não sabia o conteúdo do frasco que tomou enquanto conversava navegava pela internet. 

"Só me lembro que tinha um copo onde sempre deixo minha Coca-Cola, eu tomei, mas vi que o gosto era diferente. Então vi que era o chá da minha avó. Mas tenho certeza que o inofensivo chá não foi a causa disso tudo, pois minha avó toma há anos e nunca teve nada” 


Amostra levada para a análise

Os biomédicos ainda estão analisando em laboratório o tal chá, mas ainda não obtiveram nenhuma resposta concreta, só sabem que é derivado de uma planta muito antiga, chamada Papoula.

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E fiquem ligados. A qualquer momento, mais uma notícia extraordinária.

domingo, 15 de novembro de 2009

Chuva

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