Trazido ao presente por Ciro M. Costa
sexta-feira, 9 de março de 2012
TV C?RO: JONNIE RÁRDI, A LEGENDA!!!!
Trazido ao presente por Ciro M. Costa
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domingo, 26 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Vale a pena ler de novo - It´s a Big Trouble Rumble in Paradise

Vangoberto achava que sua vida era uma merda. Mal sabia ele que estava enganado! Sua vida REALMENTE ficou uma merda quando ele foi parar em uma ilha deserta com duas mulheres: sua ex-namorada e sua atual sogra!!ESTÁ NO AR: “IT´S A BIG TROUBLE RUMBLE IN PARADISE”!!!
Depois de mais de um mês sem ter um sinal do resgate, Vangoberto Jansey, Sarah Guimbors (sua ex-namorada) e Marikota Denvers (sua sogra) resolveram construir um abrigo.
- Vangoberto, seu cretino! Espero que saiba que terá que ficar com o trabalho mais pesado, já que é o único homem aqui! - disse a sogra.
- É isso mesmo! – disse Sarah. – Vamos ver se você presta para alguma coisa!
- Está bem, está bem! – disse Vangoberto. – Só não fiquem me infernizando!!
Então o jovem Vangoberto foi até à margem, a fim de cortar algumas palmeiras para conseguir madeira. Usando de sua criatividade e destreza, pegou alguns pedaços do navio que afundou e fez uma espécie de machado. Sarah estava ali por perto, recolhendo cipós.
- Vangoberto, seu estúpido! – gritou Marikota, de longe. – Estou de olho em vocês dois! Uma só recaída e conto pra minha filha quando voltarmos à civilização!
- Não se preocupe, D. Marikota! Eu sou um homem fiel!
- É o que todos os cafajestes dizem!
- E você ainda reclamava da mamãe! – disse Sarah. – Essa daí é bem pior! Cada hora ela te xinga de um nome diferente!
- Tem razão! – disse Vangoberto. – Mas sou noivo da filha dela, não dela! Quanto à você, era bem pior do que sua mãe e minha atual sogra juntas!
- E por quê?
- Oras, pra começar, você nunca estava satisfeita com nada que eu fazia!
- Mas é claro! Você nunca sabia o que fazer! Era um perdido! E agora está perdido nessa ilha também!
- Certo. Me parece que você também está perdida aqui!
- É! Mas estaríamos em casa agora, se você não tivesse afundado o nosso bote salva-vidas!
- Eu não afundei nada! Você é que começou a brigar comigo e o furou com sua unha!
- Mas a culpa foi sua!
- Bah! Nem vou discutir! Mas saiba você que eu sempre sei o que fazer, seja a situação complicada que for!
- Ah é? Então me conte uma situação complicada em que você teve que saber o que fazer!
- Pois bem! Houve uma vez em que eu estava sozinho em casa. Já era de madrugada, quando o interfone tocou. Eu não ia atender, mas a pessoa do lado de fora insistiu tanto, que tive que me levantar. Peguei o interfone, perguntei quem era, e a pessoa disse: “Venha aqui fora, e descobrirá!”. Eu que não sou bobo de sair de casa de madrugada assim, peguei uma faca e fui. Chegando lá fora, não tinha ninguém! Olhei na esquina e nada. Então, quando eu ia entrar em casa novamente, escutei a voz no interfone dizendo: “Vangoberto! Eu estou aqui dentro”!
- Cruzes!!! E você não ficou com medo?
- Um pouco. Então, entrei em casa novamente, com todo cuidado. Olhei nos cômodos, mas não achei ninguém.
- E o que você fez?
- Fui dormir novamente.
- O quê??? Dormir???
- Claro! O que você faria no meu lugar?
- Eu sei lá!
- Tá vendo? Você nem saberia o que fazer. Eu soube. Simplesmente fui dormir!
- Céus, como você é idiota, Vangoberto!
- Ah claro! Já está querendo discutir!
- Não estou discutindo!
- Então está brigando!
- NÃO ESTOU BRIGANDO!!!!
- Certo. Daqui a pouco vai bancar a dona da razão!
- Mas eu não...
- Ah, vai negar agora??
- Só estou dizendo o que penso!!!
- E você pensa que sou um merda!
- Eu não disse isso!
- Mas pensou!
- Não pensei!
- Já está negando de novo?
- Ora seu...
Sarah pulou em Vangoberto e ambos começaram a trocar tapas. Se bem que Vangoberto não era covarde, então só apanhou.
- MAS QUE PORRA É ESSA, VANGOBERTO? TRAINDO MINHA FILHA? – gritou Marikota.
- Não é nada disso! Não vê que estou apanhando?
- Pois então! Só minha filha pode te bater! Ou ela, ou eu!
- Aaaargh!! Vocês são malucas! E isso aqui é o inferno!!! – e Vangoberto se afastou por durante toda a tarde.
A noite caiu, as estrelas brilhavam, o mar batia na praia, os vaga-lumes dançavam no ar alegremente... e Vangoberto dormia. Dormia um sono profundo, um sono gostoso... abraçado com Sarah e Marikota, que aqueciam um ao outro...
NÃO PERCAM O PRÓXIMO EPISÓDIO, ONDE VANGOBERTO DESCOBRE MAIS DUAS PESSOAS NA ILHA!!!!.
- Vermelho pra mim é a cor mais bonita do alfabeto!
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sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
A Última Batalha Acima das Nuvens
Inspirado em imagem formada por nuvens, vista por Ciro M. Costa
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sábado, 26 de novembro de 2011
O Diário de Ciro - página 1.328
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sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Uma Aventura das Arábias!!!
Há muitos e muitos anos atrás, dois amigos (Tiárlie e Diônatam) saíram super empolgados para procurar novas aventuras ao redor do mundo. Sim, pois isso é que é o emocionante de estar vivo: procurar por novas aventuras! E aqueles dois sabiam muito bem disso! Rá! E como sabiam!
Além de tudo, nossos amigos sabiam também onde procurar essas novas aventuras...
- Ei, Tiárlie! Já chegamos no deserto!
- Uau, Diônatam!! Então vamos viver uma grande aventura de verdade?
- É claro que sim! E será uma aventura das Arábias!
- Céus! Uma aventura das Arábias! E o que estamos esperando??
- Uhúúú!!
E foram à procura de uma nova aventura.
Foram dias de muita correria e aventuras no deserto. Corridas com camelos, lutas de espadas, resgates de odaliscas seqüestradas, tempestades de areia... tudo o que exige uma boa “aventura das Arábias”.
- Uau! Estou adorando essas aventuras das Arábias, Tiárlie!
- Eu também, Diônatam! Ei! Que tal vivermos outra aventura?
- Depende! É uma aventura das Arábias?
- É claro que sim!
- Então, conte comigo!!!
E lá se foram novamente.
- Uau! Veja aquilo, Diônatam! Parece um sultão!
- Estou vendo, Tiárlie, e onde há sultões...
- ...HÁ UMA AVENTURA DAS ARÁBIAS!!! – Disseram, em uníssono.
Assim que se aproximaram do sultão, este logo saiu correndo, deixando suas coisas caírem no chão. Com certeza, era mais um daqueles sultões covardes que estamos acostumados a ver pelas ruas todos os dias. Nada de novidade.
- Droga! – Lamentou Tiárlie. – Perdemos uma bela aventura das Arábias agora!
- É verdade! Mas como íamos adivinhar que era apenas mais um sultão covarde?
- Tem razão! Ei, veja! Ele deixou cair algo!
- Sim! Parece ser uma... uma lâmpada mágica!
- Rá! Aventuras das Arábias, aí vamos nós!!!!
Tiárlie pegou a lâmpada e a esfregou. Como já é batido nessas histórias, um gênio apareceu.
- Vocês têm direito à 3 desejos! – Disse o gênio.
Novamente, em uníssono, Diônatam e Tiárlie disseram:
- QUEREMOS VIVER 3 AVENTURAS!!!
- Uma aventura das Arábias? – Perguntou o gênio.
- ISSO MESMO!!!
- Uau! Posso ir com vocês??
- É CLARO QUE SIM!!!
- Uhúúúú!!!
E lá se foram os três, viver mais fantásticas e inesquecíveis aventuras das Arábias. Nada era o limite para eles! Suas aventuras eram tão empolgantes que mais e mais pessoas foram se juntando ao grupo. Criaram até um grito de guerra:
- AVENTURA DAS ARÁBIAS, HAI HOU!!!
E lá iam viver outra aventura.
Os anos se passaram e, como todo mundo, Diônatam e Tiárlie ficaram velhos. Velhos, mas não cansados.
- Diônatam! Estamos velhos! O que vamos fazer?
- Oras, Tiárlie! Continuar com nossas aventuras!
- Como?
- Eu já lhe mostro! Ei! Gênio da lâmpada! Pode nos fazer ficar novos novamente?
- Depende. – disse o gênio – Vamos continuar com nossas aventuras das Arábias?
- É claro que sim!
- Então, novos vocês vão ficar!
ZZZZZAAAAAAPPP!!!!
E novamente começaram as aventuras das Arábias! Uma nova era, um novo tempo os aguardava! E aquilo estava ficando cada vez mais emocionante! Era sempre uma aventura das Arábias diferente, a cada dia. Qualquer um no mundo adoraria estar naquele grupo. Bobo de quem os via e não se juntava a eles. Viver uma aventura das Arábias é que é vida!!! Uau!!! Querem saber?? Eu também estou indo nessa!!! Tchau para vocês!! Eu vou viver uma AVENTURA DAS ARÁBIAS!!!! Diônatam! Tiárlie!! Esperem por mim!!!!
ELE É MAIS SABOROSO!!
ELE TE DEIXA MAIS EMPOLGADO!
SEU EFEITO DURA BEM MAIS DO QUE OS OUTROS!
ENERGÉTICO POWER TOWER!!!! O ENERGÉTICO DOS AVENTUREIROS!
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011
O caso da Página 140
- O que é isso, Joriel? Pra quê tanto escândalo?
- Hein? O que? Como? Ainda estamos aqui? DEUS EXISTE!!! OBRIGADO!!!! OBRIGAAAAAADO!!! AAAAAAH!!!!!!
- Claro que estamos aqui. Aconteceu o óbvio!
- O que é óbvio que nem percebi?
- Uma folha tem dois lados. Estávamos na página 139. O que há atrás da página 139? A página 140. Acabei esquecendo disso.
- Então nossa história continua...
- ...até o fim dessa página. Depois, não tem mais jeito! Estaremos acabados!
- Talvez não, Tanton! Quem sabe há outras folhas pregadas junto a essa?
- Acho meio difícil. Em todo caso, vou lá embaixo olhar uma coisinha que está me intrigando. Já volto.
E, como mágica, lá se foi Tanton para o fim da história, para depois retornar pra cá, com algo em sua memória...
- É, não tem jeito. Lá está escrito FIM bem grande.
- Droga!
- É! Mas não deixei barato não! Falei uma frase com palavrão do lado dele, pra esses leitores largarem de ser bobos! Hahahahahah!!!
- Mesmo?
- Sim. Mas não deu pra falar tudo, senão o FIM me pegava.
- Espere aí, Tanton! Você lembrou de algo importante! Há leitores aí! Talvez eles possam nos ajudar, parando de ler isso! Assim, não teremos um FIM! Ei, leitor! Pare de ler, agora!! Pelo amor de Deus! Vá cuidar de sua vida!!! Salve-nos!!!
- Santa ingenuidade, Joriel! Até parece que ele vai parar de ler! Ele quer é que a gente se exploda, meu amigo! Tá doido pra ver o FIM disso tudo!
- Não! Eu ainda tenho esperanças! LEITOR! LEITOR!!! SALVE-NOS!!! PELO AMOR DE NOSSA SENHORA DOS SANTOS DO CÉU DE MARIA CRISTINA DE BENAVENTANA DOS ÚLTIMOS DIAS DA SANTA CEIA DA IMACULADA SANTÍSSIMA PEREGRINA DE SÃO SEBASTIÃO PADROEIRO DA ROMARIA DO APOCALIPSE!!!!
- Cara, você realmente está precisando de um tratamento! Primeiro, queria me matar, agora, na virada da página, voltou maluco!
- Leitor! Leitora! Parem!!! Vão fazer algo útil em suas vidas! Sabiam que várias pessoas morrem enquanto vocês lêem isso? Vão salvá-las!
O desespero de Joriel era visível, enquanto Tanto pensava em outro nível.
- Ora, ora, ora... mas é claro! – disse Tanton. – Como não pensei nisso antes?
- O que foi? Tenho mesmo razão? O leitor vai nos ajudar?
- Nada disso! Há outro ser na mesma situação que a gente aqui! Ele vai ter que nos ajudar, senão irá pro buraco junto! Não é, narrador???
De repente, os personagens começaram a falar comigo. Estariam pensando ser o narrador um amigo?
- Não se faça de besta!! Ajude-nos aqui! Você também está nessa barca furada!!
Tanton, não precisa gritar, não sei como posso lhe ajudar.
- Quem escreveu essa página?? Quem escreveu toda essa história??
Ninguém importante, apenas um escritor de bosta. Se quer seu nome, é Ciro M. Costa.
- Ei, leitor, aposto que já faz algum tempo que não vai ao banheiro...
- Quieto, Joriel! Estou negociando com o narrador. Amigo, há algum jeito de falar com esse escritorzinho medíocre e desleixado que deixas suas páginas por aí?
Não tenho mais contato com este ser desleixado. Só faço o que me pediu, quando fui contratado.
- Mas que droga! Ajude-nos, narrador! O FIM está próximo! Literalmente!
- Leitor, parece que ouvi um barulho aí do lado de fora. Não quer verificar? Esses ladrões hoje em dia estão abusados, viu?
- Narrador? Responda!
- Olha só, leitor, essa posição em que você está sentado provavelmente lhe trará sérios problemas de coluna. Vá caminhar um pouco.
- Narrador, não nos abandone!
- Sabiam que várias pessoas já morreram de combustão espontânea, enquanto estavam sentadas lendo alguma coisa?
- NARRADOR!!!!
- Leitores deveriam ler uma notícia, ou algo mais educativo, não essa baboseira que um tal de Ciro andou escrevendo. É o fim da picada, né? Hein? Fala pra mim! Fala aqui no meu ouvido! Fala que... hum.. espere aí... Fim? Tanton, você disse que viu o FIM lá embaixo??
- Sim, e ele está chegando mais perto!
- Ué!? Então essa era a última página do livro em que estávamos? Quer dizer que a coisa toda vai acabar de qualquer jeito?? Que podíamos ter elaborado um final decente??
- Talvez. Mas desconfio que seja outra coisa. Acho que fomos enganados.
- Por que?
- Não há mais tempo pra explicar, mas já vai saber. Adeus, Joriel!
- Bem, então... adeus, Tanton!
E assim termina essa história. A história de dois personagens sem sua vitória.
Pensavam fazer parte de uma página de livro qualquer. Mas nem desconfiaram de nada sequer.
Na verdade fizeram parte apenas de um conto. Um conto de duas páginas, e pronto!
Um conto que contou a história de dois rapazes, talvez loucos na medida. E que achavam fazer parte de uma grande história, já perdida.
- Mas que bela merdFIM
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sexta-feira, 29 de julho de 2011
O caso da Página 139
...então o guerreiro Joriel, com sua Espada Haryma, do guerreiro Tanton ficou acima. Estava prestes a vencer a batalha, Tanton finalmente ele mataria, mas esse último, o ato interromperia:
- Espere aí, Joriel! Dá um tempo aí, cara!
- Não, Tanton! Esperei muito tempo por esse momento!
- Peraí, benzinho! Olhe aquilo lá em cima!
- Não vejo nada, estou de costas pra lá!
- Pare aí!!! – então, de supetão, Joriel no ar Tanton jogou, e o mesmo foi pro chão.
- Droga! O que há?
- Lá! Está vendo?
- Não vem com essa! Está só adiando sua morte, Tanton!
- Tá, tá. Pode me matar, mas primeiro olha lá pra cima! Estou no chão, não posso fugir e nem te enganar, meu!
- Hum... está bem. Deixe-me ver... “quando o vento por sua vez acabou... página arrancada de um livro qualquer... basta ler o que foi abaixo...”. Ué, não vejo nada de mais!
- Leia de novo a parte da “página arrancada”!
- Hum... eu não sei o q... ESSA NÃO!!!
- Percebeu, né? Estamos fora da história, Joriel! Uma mera página arrancada! E agora, o que faremos?
- Ué!? E temos que fazer alguma coisa?
- É claro que sim, benzinho!!! Estamos no meio da história, assim que a página acabar, tudo se encerra!
- Bem, então vamos continuar de onde paramos. Eu te mato, e a história se conclui. Fim!
- Você só pode estar louco! Que eu me lembre, você é o vilão! Eu sou Tanton, o guerreiro imortal e herói! Não posso morrer!
- Certo. Primeiro, esse papo de “imortal” é uma besteira que você inventou. Segundo, nas histórias de hoje não existe mais essa de “o herói não pode morrer”. E, terceiro e último: como sabe se sou vilão e você é o herói, se não temos as páginas anteriores??
- Idiota! Eu sei disso, porque... porque o... o... o rei... o rei lá, como é que chama?
- Que rei?
- O rei lá, bobo! O nome dele... o... o coisinha lá, gente! Tá na ponta da língua...
- Que rei nada! Admita, Tanton, a única coisa que sabemos são nossos nomes, mesmo assim porque o narrador citou no início da página!
- Tá bom! Mas o que faremos agora? Já passamos da metade dela!
- É como disse: deixa eu te matar pra...
- Que matar o quêêê, chapinha!!! Sai dessa!!! Você tem problema, meu amigo!!! Vai se tratar, caaaara!!!
- Mas eu somente...
- Tenha santa paciência, Joriel! Vamos pensar aqui! O que faremos da vida depois que a página acabar?? Hein? Hã?
- E eu lá vou sab... espere! Já sei! Já sei! Vamos ficar aqui quietos, assim a história não se desenvolve.
- Boa idéia! Vamos ficar calados, assim não há mais linhas.
...
E por alguns segundos, mudos os guerreiros ficaram, enquanto no céu as estrelas brilharam.
- Ei!? – disse Joriel. – O que foi isso?
- Droga! É o narrador! Ele fala enquanto a gente fica quieto!!
- Nunca pensei que existisse narrador sacana.
- Sacana e fresco, pois quer narrar tudo rimado!
- Éééé... aí fica difícil! Só com essa frase dele e os “três pontinhos” lá em cima já foram mais de duas linhas! Aliás, pra quê serviram?
- Deve ser para dar uma idéia de pausa, ou sei lá! Isso não é importante agora! O final da folha já está quase chegando!
- Ai, Tanton! Estou ficando com medo!
- Ué, você não é o guerrerinho assassino??
- Não, não!! Eu não sei quem sou! Não sei o que fiz! Não sei o que vou fazer!! Quero sair daqui!!! Não quero mais ser personagem!!!
- É um pouco tarde pra isso, colega! Olha aí! Estamos no fim de uma história sem conclusão! Adeus, Joriel!
- Não! Não podemos acabar assim! Eu vou pegar minha espada e matar você!
- Agora é tarde. A página acabou.
SERÁ?? ESTEJA AQUI NA PRÓXIMA SEXTA-FEIRA!!!
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sexta-feira, 13 de maio de 2011
O Diário de Ciro – Página 1.509 – A ‘chinela’ cantora
Interessante como algumas palavras nos remetem certas imagens. A palavra APANHAR por exemplo, me lembra uma mulher zangada gritando e me dando chineladas a torto e a direito. Bons tempos aqueles, em que só apanhava de minha mãe (jamais pensei que fosse dizer isso)! Como diziam, a “chinela cantava bonito”! Hits como “por favor!”, “não fui eu!”, “socorro, ai, ai, ai!” e “prometo que não faço mais isso!” faziam parte do repertório de sucessos da tal chinela cantante.
E a coisa não era só comigo. César e Caio (meus irmãos mais novos) também adoravam entrar nessa dança. Revezávamos sempre: em um dia, apanhava Ciro. No outro, apanhavam Caio e César. No outro, Ciro e César. No outro, só Caio. No outro, Ciro e Caio... e assim por diante. Éramos bastante organizados.
Mas teve um dia em especial, há muito tempo atrás, em que apanhamos OS TRÊS. Sinceramente, não me lembro o que aprontamos, mas deve ter sido algo MUITO grave! Os três apanharem no mesmo dia, pelo mesmo motivo? Por Deus, espero que não tenhamos matado alguém! Não me lembro mesmo! Em minha mente a coisa começa com nós 3 correndo para o quintal. De repente sai da casa minha mãe e, vendo que não conseguiria nos alcançar e boa estrategista que era, gritou:
- Podem ficar aí! Uma hora vocês vão ter que entrar pra dentro! – (mães adoram redundâncias como “entra pra dentro!”, “sai pra fora” ou “vai apanhar pra doer!”.
Pois é, caros leitores. Assim começou um dos dias mais longos de minha vida. Passamos o dia inteiro do lado de fora, passando fome, sede e vontade de fazer necessidades... tudo para não ter que apanhar. Aqueles três irmãos amigos inimigos e fighteadores entre si, agora estavam unidos por uma única causa. E a dúvida cruel era: quem entraria primeiro, e quando?
Nem adiantava pensar que a mãe mudaria de idéia, ou que algum arrependimento surgisse de repente. A idéia de que só ficar do lado de fora esperando já era um castigo, então... esta já era descartada de cara. Afinal de contas, era preciso cumprir o prometido. E pobre de meus irmãos! Tive pena deles! Eu já estava acostumado com tais surras (pois sou o mais velho), mas e eles? Como ficaria o seu psicológico? Tive vontade de ir à frente e pedir para apanhar pelos dois.
Está bem! É mentira! Se um apanhasse, era justo que os outros dois também entrassem na dança! E ali ficamos do lado de fora, tentando decidir quando o pesadelo acabaria. Volta e meia minha mãe saía da casa, e já estávamos longe.
- Podem correr à vontade. Já disse que é inevitável!
Não desejo tal pressão psicológica nem pro meu pior inimigo. Estávamos tão abalados com aquilo, que ficamos bonzinhos uns com os outros, sempre com gentilezas, talvez pensando que aquilo amenizasse a situação.
Mas depois de 67 horas de sofrimento, o dia estava finalmente chegando ao fim. O sol começava a se pôr no horizonte, livre e de consciência tranqüila para ir onde quisesse, sem se preocupar em levar chineladas... enquanto estávamos lá, os três, tentando ainda decidir.
- Não adianta! Vamos acabar logo com isso!
- Então vai na frente!
- Já sei, vamos entrar os três juntos, assim ela fica indecisa!
- Não! Vamos entrar em grupos de dois.
- Mas se um grupo entrar de dois, sobra só um grupo de um!
- Então vamos um de cada vez.
- Não! Vamos tirar na sorte!
- Ah, quer saber? Eu vou acabar logo com isso!
E lá foi o mais corajoso dos três, Caio, o caçula. Na época o mais franzino, pensei que não iria sobreviver. Mas ele conseguiu. Confesso que não lembro se fiquei admirado ou com dó, quando ele entrou humildemente na sala (minha mãe deveria estar assistindo “A Gata Comeu”) e disse: “estou aqui!”.
Eu e César observamos por uma janela qualquer, mas sem ver nada. Só ouvimos que a coisa começou com vários “PLAFTS”, depois passou para os “AI, AI, AI”, e, por fim, acabou no choro. César que parecia estar concentrado em algo, de repente olhou para mim com os olhos aterrorizados, e disse:
- O Caio levou catorze chineladas!
Éééé... catorze! Ele contou, podem acreditar! Se ele pensou que todos levariam a mesma quantidade, ou se queria fazer uma média de chineladas dividida entre os três, ou se adorava matemática... não faço a mínima idéia! Aquilo não me interessava! Só temia que minha hora estava chegando!
E quando o dia finalmente estava sob penumbra, César decidiu ir também.
- Fazer o quê? – ele disse. – Não tem outro jeito!
Corajoso em segundo lugar. Não é a toa que é o ‘do meio’. Então ele entrou e pensei que fosse a última vez que o veria. Do lado de fora, também pude ouvi-lo se entregar:
- Mãe, estou aqui.
E mais “PLAFTS”, “AI, AI, AI” foram ouvidos. Mas César, bravo que era, não chorou. Simplesmente saiu da casa para me dizer:
- Levei sete!
Foi aí que comecei a me interessar pelos números. Pela lógica, se Caio levou 14 chineladas e César somente 7, então eu, com certeza, levaria somente uma! Não é assim que deveria funcionar?
Bom, devo dizer que mesmo assim, não queria me entregar. Fossem 1 ou 1000 chineladas, a coisa ia doer, pois minha mãe não era das que andavam com pantufas. A “chinela” era de uma borracha diferente... um material raríssimo que fazia barulho, esquentava e deixava marcas na pele.
É importante dizer que demorei mais que os outros, resisti bravamente até limite... mas também sucumbi. A mulher tinha razão, não havia escapatória. Era preciso entrar e fazer com que a vida continuasse, doe a quem doer. Entrei pela cozinha já escura, apareci na porta e, como um último soldado em terreno inimigo, me entreguei.
Segundo César, levei 3 chineladas.
Moral da história: Mães são mulheres muito fortes, violentas, cumprem o que falam. Mas são péssimas em Português e Matemática.
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sexta-feira, 6 de maio de 2011
O Homem que foi esquecido pelo Céu
No entanto, esse seria um dia especial. São Bililo não se esqueceria facilmente dele, e nem daquele homem que acabava de chegar.
- Olá.
- Olá. – disse São Bililo. – Qual é seu nome completo?
- Eu sou Rito de Cássio.
- Só um instante...
São Bililo digitou algo em seu notebook. Aquela feição de santo acostumado com a rotina se transformou um pouco.
- Pode repetir seu nome, por favor?
- Rito. Rito de Cássio.
Novamente, digitou mais algumas palavras, e achou ainda mais estranho.
- Engraçado... não consigo achar seu nome aqui. Benzinho, me fala seu nome e não apelido.
- Desculpe, mas meu nome é realmente Rito de Cássio.
- Ceeerto, baby boy. Como se chamava seu pai?
- Priscilo de Cássio.
- Huuum... seu pai consta na lista. Aliás, ele já está aqui no céu há 13 anos. Sua mãe era a Dona Ricarda?
- Isso mesmo!
- É, as informações batem. Mas não consigo encontrar você. Se for o diabo disfarçado querendo entrar aqui, pode esquecer, caboclo!
- Eu não sou o diabo! Sou Rito de Cássio!
- Bom, vou ter que apelar então para os arquivos diretamente da Terra. Vamos ver o que encontro. Já viu quando uma pessoa chega pra você e fala: “Fulano, você não existe, hein?”. Parece ser o seu caso, hahahahahahahhaha!!!
- Era pra rir?
A descontração era somente para disfarçar o medo. Na verdade, esse tipo de coisa nunca havia acontecido no Céu, e São Bililo estava com medo de levar ‘chumbo’ do “pessoal de cima” pela desorganização no cadastro.
- Encontrei! – disse São Bililo, um pouco aliviado. – Você tinha Facebook e chegou a postar algumas coisas no Twitter. Vai continuar usando ou posso fechar a conta aqui?
- Depende. Vou poder continuar usando?
- Só para ler, sem postar nada.
- Então pode fechar.
- Senha?
- Rito3955.
- Hum... prooonto, balofinho! É estranho, você tem muitos arquivos na Terra... mas no meu sistema não consta NADA! Nem seu nascimento, sua árvore genealógica, seu falecimento... parece que você foi esquecido pelo Céu!
- Nossa! Não sei se fico surpreso ou decepcionado com vocês! Como podem me esquecer? Justo eu?
- Por que? O que fez de tão especial, gordinho sapeca?
- Oras, eu sempre fui uma pessoa honesta, trabalhadora e com todas as obrigações em dia! Nunca fiz nada de errado!
- Nada?
- Nada!
- Nada mesmo?
- Nadinha!
- Certo, bacana... – disse São Bililo, com ironia. – Deixe-me ver aqui... você era pedreiro. É isso?
- Sim, e dos bons!
- Realmente. Aqui consta que você era um pedreiro bastante honesto. Sabia calcular perfeitamente a quantidade de cimento e tijolo seria gasto em uma casa. E nunca sobrava nada? Não deixava sequer cair um pingo de cimento no chão??? Espere aí, o arquivo está com algo errado...
- Não senhor! Está tudo certo!
- Ah, pára! Vai falar que nunca fez nada errado em uma construção? Não deixou nem um azulejinho torto???
- Nunca!
- Uma janela fora do lugar, por poucos centímetros?
- Não!
- Um buraquinho na parede, jovem? Só pra entrar formiga?
- Jamais!
São Bililo não acreditava, mas os arquivos não mentiam. Ligou para a filial do Céu na Terra, e eles confirmaram tudo. Foi mais além: ligou para o celular do Diabo, e este disse que também nunca ouvira falar de Rito.
- Uma pessoa tão boa assim, agradeço a Deus por não saber da existência. – disse o chifrudo.
“Pro Diabo agradecer a Deus, então a coisa é séria!”, pensou São Bililo.
- Éééé... – disse ele. – Eu não entendo, ao mesmo tempo que tudo aponta que você esteve na Terra, nada aponta que você exista para o Céu ou Inferno. Como uma pessoa tão boa e honesta pode ter sido esquecida por nós?
- Eu quem deveria perguntar isso. Como podem ser tão desorganizados?
- Não é esse o caso, batutinha! No começo pensei que fosse um erro meu, mas o sistema aqui nunca falha. E pense bem: você foi um pedreiro que sempre fez tudo certinho, sem nunca relaxar ou deixar algum servicinho mal-feito! E além diss... espere aí!!!
- O quê?
- Rá! Achei um deslize seu, garotinho maroto!!!
- Que deslize? Onde?
- Aqui ó! Ó! Espia aqui, bobo! No dia 02 de janeiro de 2011, ó! Você quebrou um tijolo! Rá!
- É verdade... Mas pedi pro dono da casa descontar do meu pagamento!
- Aaaah, então está explicado! Como sempre, o Céu não se enganou!
- Por que?
- Você, realmente, NÃO EXISTE!
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